O mastodôntico excedente global de resinas expeliu um efeito colateral: da clássica atuação como indutor do desenvolvimento, o Estado agora surge na indústria petroquímica como derradeiro pronto-socorro para empresas na maca por asfixia nas margens. Em linha com este suporte (nada novo para o setor no Brasil), o governo do Reino Unido liberou £ 125 milhões (cerca de US$ 167 milhões) para tirar a corda do pescoço do último cracker britânico, no complexo do Ineos Group em Grangemouth, Escócia, noticiou em artigo em 17/12 o site Chemical Week. Em complemento, o Ineos aportou £ 25 milhões na operação de salvamento da central petroquímica. Do lado do ervanário governamental, £ 50 milhões são subsídios e £ 75 milhões provêm de garantia à linha de crédito aberta no NatWest Bank.
Em comunicado à praça, a indústria beneficiada verberou que o montante em jogo servirá para atualizar a tecnologia e reduzir o custo energético e as emissões de carbono do cracker, sangrado pela perda de competividade que assola desde o início (2022) da guerra Rússia x Ucrânia o setor químico/petroquímico europeu como um todo. Os notórios carrascos que hoje mantêm a indústria europeia na guilhotina são os exorbitantes custos de energia e os gastos para atender a draconiana legislação ambiental, cujas onerosas penalidades aliás, já levaram Jum Ratcliffe, CEO da INEOS, a vislumbrar nelas um empurrão na desindustrialização da União Europeia.
Em Grangemouth, o Ineos manobra um cracker de 830.000 t/a de eteno e de 200.000 t/a de propeno para alimentar, a jusante da cadeia, plantas locais de poliolefinas. Em 2026, o cracker passou da rota nafta para a alimentação pela alternativa mais acessível do etano importado dos EUA. Ainda em 2025, o Ineos deu o tom do drama ao fechar em Grangemouth a refinaria de óleo cru controlada em parceria com a PetroChina e uma unidade de 180.000 t/a de etanol sintético, a última desse produto no Reino Unido. O Ineos não está sozinho em seu pedido de socorro. Em novembro último, a ExxonMobil, por exemplo, agendou para fevereiro de 2026 o encerramento de seu cracker de 830.000 t/a de eteno em Mossmoran, também na Escócia, e a Sabic anunciou em junho passado o ponto final para seu cracker de 865.000 t/a em Teesside, na Inglaterra.


