A edição anterior de Plásticos em Revista foi tomada por uma pesquisa de opinião, envolvendo vozes de todo o setor, a respeito da travessia de 2025 e o que esperar de 2026. A palavra mais mencionada nos depoimentos foi esta: incerteza.
O Brasil de hoje, por fatores internos e externos, se debate num grau tão alto de instabilidade que parece ter inspirado aquele provérbio: “Se você quiser fazer Deus rir, conta pra ele os seus planos”. Pois bem, subidas e descidas na montanha russa, arrancadas potentes, voos de galinha, coices e derrapagens da demanda não são novidades para o plástico desde seu surgimento no Brasil, na primeira metade do século passado. Tom Jobim bem dizia que o Brasil não é para principiantes. Não é à toa que (vale o duplo sentido aqui), entre as propriedades das resinas, se destaca a resistência a impacto.
Mas tão importante quanto essa capacidade da indústria de absorver os golpes da conjuntura e seguir adiante é a necessidade de o setor plástico mundial redesenhar na marra seu futuro, pois chegou à beira de um abismo existencial. Nos dias de hoje, por exemplo, não dá mais para relacionar o crescimento do consumo de plástico apenas ao crescimento do PIB, pois o quadro mudou com variáveis como a pressão ambiental, a economia digital, a explosão do setor de serviços e, para não me alongar muito aqui, já se ouve o tic tac de uma bomba relógio demográfica: no mundo inteiro, caem as taxas de natalidade e sobem as de expectativa de vida. No pano de fundo disso tudo, pulsam profundas mudanças nos hábitos de consumo e no poder aquisitivo que já são captadas por este sensor extraoficial da economia chamado plástico.
Essa estrada é cheia de trechos em obras e o futuro para o setor plástico passa pela assimilação de um cenário sem nada em comum com seu passado. Sabem muito bem disso as empresas e os profissionais resistentes às marés de incertezas de hoje em dia e atentos à nova ordem do mercado, como os vencedores do Prêmio Plásticos em Revista 2025, apresentados nesta edição super especial. •


