“O impacto da inovação tecnológica para o crescimento sustentado, os conflitos surgidos quando há novos produtos e métodos de produção substituem os antigos e quais políticas devem ser praticadas para evitar que sociedades voltem à estagnação estão no centro do Nobel de Economia 2025”. Hans Ellegreen, secretário-geral da Academia Real Sueca de Ciências, sumarizou assim para a mídia as justificativas da escolha dos economistas Joel Mokyr, Philippe Agnion e Peter Howitt para a premiação.
Howitt embolsou 1/3 de cerca de US$ 1 milhão da láurea por explicar o desenvolvimento econômico impulsionado por inovação. Aghnion e Howitt racharam por igual o montante restante por formularem a teoria do crescimento sustentado pela destruição criativa. Mokyr defende como exigências-chave para a economia progredir o conhecimento de uma nova tecnologia e a compreensão de seu funcionamento, elementos cuja interação leva ao fluxo contínuo de inovações que pavimentam o crescimento sustentado. Por seu turno, o modelo matemático criado por Aghnion e Howitt, relativo ao crescimento a partir da destruição criativa, possibilita projetar uma taxa média de progresso econômico em decorrência de uma profusão de decisões balizadas por interesses conflitantes. Pelo parâmetro da dupla, empresas investem em pesquisa e desenvolvimento para inovar e melhorar os produtos existentes. Se bem sucedidas, lucram, viram líderes de mercado e, em casos extremos, varrem competidores de cena. “Novos medicamentos, carros mais seguros, alimentos de melhor qualidade, formas mais eficientes de aquecer e iluminar nossas casas, a internet e o aumento das oportunidades de comunicação com outras pessoas a longa distância são apenas algumas dimensões do crescimento econômico”, atestou Ellegreen.
Vistas sob este prisma, a invenção do plástico e a disseminação de suas aplicações, graças ao seu agrupamento único de predicados técnicos e funcionais e custo acessível, configuram um dos mais impressionantes capítulos de destruição criativa e aceleradores da evolução econômica da história da humanidade. Seja em bens duráveis ou bens de consumo imediato, seja em qualquer setor do universo da manufatura, encheriam fácil esta página os exemplos de aplicações moldadas com outros materiais destronadas pelas soluções de plástico, assim como são inúmeras as peças e produtos acabados materializados devido à combinação de propriedades e custo/benefício das resinas commodities e nobres, uma junção de vantagens inencontráveis em qualquer outra opção de matéria-prima. Numa via oposta a esta linha de raciocínio, levante a mão quem souber de um caso sequer em que o plástico tenha sido abolido de uma aplicação conquistada ou tenha sido desconsiderado como matéria-prima integrante do desenvolvimento de inovações, sejam aprimoramentos de produtos existentes ou disrupturas revolucionárias que, sustentam os ganhadores do Nobel, fazem fluir o crescimento econômico.
Há décadas, o reconhecimento público da magna contribuição do plástico à qualidade de vida e bem estar da população e à continuidade da geração de riqueza financeira e social é ofuscado pela imagem, bradada aos quatro ventos pelo populismo ambientalista, de exterminador do futuro. É um chavão derrubável com um peteleco apenas por um relance pelo mundaréu de modernizações proporcionadas pelos plásticos no passado, assim como pela sua participação obrigatória nos caminhos hoje palmilhados por todas as indústrias rumo ao amanhã do avanço socio-econômico de braço dado com a natureza preservada.
Permanece sem resposta porque a indústria plástica até hoje não consegue silenciar a arenga ecoxiita com tantos argumentos a seu dispor. Fica no ar se a política de comunicação e ecomarketing do setor tem erros de raiz ou se ela vem dando murros em ponta de faca, dado o irado sectarismo espraiado nas mídias leigas e grande público, tornando-os surdos ao que a parte acusada tem a dizer. Um sinal – mundial – da falta que faz um entendimento dos benefícios do plástico pela sociedade é a rejeição de jovens qualificados a fazer carreira nesta indústria, por verem nela uma predadora do ecossistema. Se a conhecessem, lhe dariam o Nobel. •


