Por esfriar o consumo de água, refrigerantes e sucos, elevado nos períodos mais quentes do ano, o inverno é inimigo figadal do desempenho da cadeia de PET grau garrafa. Este ano, porém, transparece desse desaquecimento sazonal uma piora sem paralelo, ilustra a decisão da petroquímica tailandesa Indorama, com capacidade no Brasil (Pernambuco) de 550.000 t/a do poliéster virgem, de paralisar até setembro sua unidade recicladora de 25.000 t/a de PET grau alimentício (bottle to bottle /BTB) em Juiz de Fora (MG). O anúncio da suspensão da produção aflorou em nota em 15/7 no site Chemical Week originária de fonte mantida no anonimato que passou a informação à consultoria Platts, subordinada, tal como Chemical Week, à divisão Commodity Insights da empresa norte-americana S&P Global.
A interrupção da recicladora mineira, aliás a única de rPET gerida no país integrada a um produtor da resina virgem, foi justificada na matéria noticiada por Chemical Week às fracas condições da demanda e aos preços baixos praticados por recicladores concorrentes. O artigo fecha com a garantia de que a Indorama dispõe de estoque de rPET suficiente para atender o mercado até sua esperada retomada sazonal a partir de setembro/outubro. A propósito, a Indorama assumiu em 2020 o controle da unidade em Juiz de Fora e divulgou em 2023 a ampliação de sua capacidade de 9.000 para 25.000 t/a, volume que então a enquadrava como a sétima maior planta das 15 no gênero geridas no mundo pelo conglomerado petroquímico sediado em Bangkok, por sinal também formador de preços internacionais de PET virgem.
Plásticos em Revista procurou a subsidiária brasileira da Indorama e a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) em busca de explicações para a decisão extrema de parar a planta recicladora durante a época de baixa do consumo anual da resina, peculiaridade sazonal aliás inerente ao setor mundial de PET. Em sua resposta, Auri Marçon, presidente executivo da Abipet, comenta não ter, até então, informações sobre a parada de plantas específicas de alguns recicladores. “Durante este ano, porém, diversas unidades no mundo já tiveram interrupções temporárias devido a diferentes motivos que fizeram oscilar o mercado internacional de PET”. No primeiro trimestre de 2025, ele assinala, “já se identificava queda na demanda de PET pós-consumo reciclado (PCR), motivada por ajustes nos pedidos dos brand owners, provavelmente para adequação do estoque e em reação à queda no preço internacional da resina de primeiro uso, fazendo com que o material reciclado ficasse com custo/preço bastante desequilibrado em relação ao poliéster virgem”. Outro ponto relevante, distingue Marçon, é a tradicional sazonalidade (inverno), que reduz consideravelmente a demanda por bebidas, reduto onde PET tem presença marcante, seja virgem ou PCR. “Em geral, se este motivo, por si só, já é considerado para decisões de paradas de plantas de PET virgem, imagine em relação a unidades geradoras do reciclado”.
Os dois importantes tópicos assinalados, pondera o dirigente, não são novidades no mercado de PET. “Acreditamos que a soma desses fatores está fazendo com que fábricas de reciclagem parem ou reduzam operações, visando adequação de estoques e consequentes impactos no capital de giro, visto que o custo do dinheiro e os juros no Brasil estão afastando qualquer indústria do território nacional”.


