Tal como uma planta não brota da noite para o dia, a maturação do reduto dos agrofilmes não aconteceu num estalar de dedos, mas após anos a fio de persistente catequese dos produtores rurais por figuras de proa da cadeia plástica – entre elas a Braskem, único produtor de poliolefinas do país. Daí porque Ana Paiva, líder do segmento de plasticultura da empresa, destoa dos analistas que se surpreendem, como se fosse um fenômeno repentino, com a musculatura atingida pela demanda de filmes para o cultivo protegido, segmento que hoje é o terceiro maior mercado de plásticos flexíveis do Brasil. “Toda nova tecnologia tem uma curva de adoção pelo mercado, caso das soluções plásticas no campo”, ela assinala. “No agronegócio, essa curva pode ser bem longa, considerando que, entre o primeiro contato do agricultor com a solução plástica até quando ele se sentir confortável para adotá-la em grande escala, pode levar um tempo considerável.”
Com foco centrado na performance, Leandro Fiorin, coordenador de engenharia de aplicação da Braskem, enaltece a resistência química dos agrofilmes de polietileno (PE), atributo fundamental para a exposição prolongada do produto a defensivos com teores crescentes de ingredientes agressivos, como enxofre e cloro. “Nas situações com a presença de outros componentes químicos, torna-se necessário incorporar aos filmes, via masterbatch, estabilizantes UV específicos para proteger o polímero nessa aplicação”.
Para acelerar a captura de resultados de P&D no campo, a Braskem firmou parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) visando a constituição, em 2022, do Centro de Engenharia em Plasticultura. Sediado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e com verba anual acima de R$1.6 milhão, o CEP agrupa cerca de 100 pesquisadores e estudantes. “Hoje em dia, eles se dedicam a 14 projetos, entre inovações disruptivas, soluções para diversas cultivos e iniciativas de sustentabilidade”, expõe Ana Paiva. Como exemplo, ela encaixa o projeto de sensoriamento remoto (coleta e análise de dados de uma área obtidos de plataformas remotas, como satélites e drones) para identificar áreas que utilizam a plasticultura no manejo. “A solução emprega o aprendizado das máquinas para identificar o material plástico em questão com precisão perto de 100%”, sublinha a especialista. A inspiração para pesquisa veio do mulching, pois este filme de revestimento do solo precisa ser trocado a cada nova safra, o que gera resíduo na área do cultivo. “Desse modo, o estudo contribui para o controle do uso do filme”, esclarece Ana. “Afinal, os dados conseguem identificar os padrões de aplicação e apontar as regiões que exigirão mais ações de circularidade sobre os resíduos descartados”. •


