Olefinas: as forças que redesenham o mercado mundial

Fim de linha para a era de expansão contínua e previsível da indústria
Petroquímica: expansão em olefinas afetada pela geopolítica e guerra tarifária
Petroquímica: expansão em olefinas afetada pela geopolítica e guerra tarifária.

“A indústria mundial de olefinas leves (eteno, propeno, butadieno etc) caiu numa encruzilhada crítica. Acabou a era do crescimento continuo e previsível e o novo normal é um fluxo em constante mutação devido a mercados desbalanceados, políticas protecionistas e riscos geopolíticos”. Jorge Bühler-Vidal, dirigente da empresa Polyolefins Consulting, postou em 19/11 essas ponderações com base em relatório da Apex PetroConsultants.

Jorge Bühler-Vidal
Jorge Bühler-Vidal: ambiente inseguro para tomada de decisões de investimentos a longo prazo.

Vidal vê em expansão robusta o mercado global de olefinas leves, deparando em paralelo com desafios estruturais. “A Ásia sobressai pela produção e demanda desses materiais, a ponto de gerar superoferta em determinadas áreas”, distingue o consultor. “Ao mesmo tempo, tensões geopolíticas e guerras comerciais causam disrupturas em cadeias de suprimento estabelecidas (caso da fragilização hoje notada no modelo de abastecimento just in time). Tudo isso torna os preços de matérias-primas ultra voláteis, resultando ao final do dia numa conjuntura incerta que impacta investimentos e hábitos de consumo”. Em decorrência, ele amarra as pontas, a cadeia de olefinas leves acelera a busca de resiliência nessas águas revoltas de incertezas.

Geopolíticas e contendas comerciais estão redesenhando o modelo de negócios petroquímicos, percebe Vidal, ilustrando com os recorrentes tiroteios tarifários EUA x China. Por sua vez, o custo de produção de olefinas leves e derivados depende ao extremo dos preços de energia. “Conflitos de cunho geopolítico em regiões-chave do planeta podem acarretar volatilidade nas cotações da cadeia, inclusas as do petróleo e gás natural”, constata o analista. Em decorrência óbvia, o ambiente inseguro complica a tomada de decisões de investimentos químicos/petroquímicos a longo prazo e redireciona estes recursos para fontes de energia não fósseis e de preços mais estáveis.

Quanto aos efeitos do culto generalizado à sustentabilidade na cadeia de olefinas leves, Vidal cita como referência a corrida de empresas rumo a matérias-primas com base em fontes renováveis, caso de rejeitos agrícolas e do bioetanol para a produção de soluções de baixo carbono. No cercado da economia circular, o analista acena com o potencial para reciclagem química de sucata plástica, um reduto hoje em calmaria, ele reconhece, devido aos altos custos, disponibilidade limitada e suprimento de resíduos pós consumo de padrão a desejar para o processo de restauração polimérica. “Tratam-se de esforços da iniciativa privada hoje respaldados pelo poder público que, assim, contribui para viabilizar economicamente essas tecnologias, se bem que o apoio político a elas depara com incertezas na conjuntura atual”.

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