Obra em progresso

Transformadores de tubos de PVC mostram fôlego para expandir em linha com o avanço das redes de saneamento
Edson Silveira: tubos respondem por cerca de 20% das despesas de capital em saneamento.
Edson Silveira: tubos respondem por cerca de 20% das despesas de capital em saneamento.

Desde o século passado, o retrospecto da indústria brasileira de tubos de PVC reserva aos produtos para infraestrutura a lanterna das suas vendas, apanhando feio dos dutos prediais e de irrigação. Embora consolidada há décadas, essa posição promete sair da retaguarda em razão da disposição demonstrada pelos transformadores de tubos vinílicos de marcar de perto os investimentos requeridos para tirar do papel a universalização do saneamento até 2033, cifras estimadas em 2019 em R$47,8 bilhões e R$74,4 bilhões ao ano, respectivamente pela Associação e Sindicato Nacional de Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon/Sindicon) e pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). O apoio do maior segmento de PVC ao combate dessa calamidade pública foi acentuado no seminário na apresentação de Edson Silveira, diretor de relações institucionais e governamentais da Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento (Asfamas).

Os investimentos acenados pelos fabricantes de tubos, percebe Silveira, são calibrados tendo em vista a longa maturação inerente a projetos de infraestrutura. No caso do saneamento básico, o primeiro ano é tomado pelas negociações pré-contratuais envolvendo investidores, poder público e demais participantes. No segundo ano é a vez da contratação do estruturador (financiador) do projeto e do início das análises técnicas. O terceiro ano é o da realização do leilão e contrato do serviço de saneamento – na média, projetos estruturados pelo BNDES têm demorado 15,4 meses entre o começo dos estudos especializados e a contratação do financiamento. No terceiro ou quarto ano após a contratação desses projetos, ocorre em regra um salto no patamar de investimentos.

Tubos plásticos e metálicos, segundo cálculos divulgados pela Asfamas, respondem por 19,95%, das despesas de capital (CAPEX) em projetos de saneamento. Só perdem para o indicador de 67,90% atribuído à construção civil (mão de obra e insumos). Os demais gastos correm por conta de equipamentos (bombas e filtros, p.ex.), infra elétrica, despesas financeiras etc.

Em seu grupo setorial de tubos e conexões de PVC, a Asfamas agrupa 19 transformadoras e, em regra, atuam tanto no campo predial como no do saneamento. Segundo Silveira, a capacidade instalada desse segmento lhe dá condições de produzir em patamares bem mais elevados que o atual, de modo a acompanhar sem dificuldades os próximos movimentos de expansão dos serviços de distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto. O diretor da Asfamas afiança, a propósito, que o reduto dessas indústrias de tubos tem como ampliar em 23,9% sua capacidade atual, apenas para voltar ao patamar ocupado em 2013, quando entrou em forte retração até 2016.

A indústria nacional de tubos plásticos e metálicos, segundo avaliação da Asfamas, possui rápida capacidade de responder com intensidade e persistência à escalada das obras de saneamento. A formação de terrenos, edificações, equipamentos, meios de transporte e outros ativos imobilizados, atesta Silveira, guarda forte correlação com o investimento no setor de saneamento com lag (intervalo) de até um ano.

Mauro Seabra: avanços significativos na regulamentação das tubulações vinílicas para infraestrutura.

Mauro Seabra: avanços significativos na regulamentação das tubulações vinílicas para infraestrutura.

Regulação da excelência

O fecho desta sessão do seminário, protagonizada pela Asfamas, foi a exposição sobre a evolução das normas técnicas para produção de tubos de PVC desde a instituição do Marco Regulatório do Saneamento, em 2020. A panorâmica dos aperfeiçoamentos na legislação foi aberta por Mauro Adamo Seabra, gestor executivo do grupo setorial PVC da Asfamas.

Seabra assinalou benefícios-chaves dos tubos de PVC para infraestrutura. Entre eles, destacou o sistema consagrado de instalação, com manuseio simplificado e dispensa de etapas caras e complexas como eletrofusão. O consultor também ressaltou a conveniência da manutenção facilitada desses tubos, descartando a necessidade de drenagem total da rede em situações de reparos. Outros pontos altos, encaixou Seabra, referem-se ao desempenho e durabilidade dos tubos vinílicos para saneamento, com menor índice de perdas e falhas no ciclo de vida extensível a 100 anos.

Nos últimos cinco anos, pondera Seabra, melhorias de peso foram incorporadas à normalização técnica nacional para produção e qualidade de tubulações vinílicas para infraestrutura. Foi o caso da padronização, em seis metros, do comprimento útil de montagem para todas as famílias de tubos. O especialista também ressaltou como avanço normativo obtido a modernização e expansão do escopo dessas soluções em PVC: conexões em PBA (condução de água quente à temperatura ambiente), diâmetros em tubos DEFOFO (com baixa rugosidade interna) e PVC-O (orientado). Também foi atualizado o requisito do efeito sobre água no tocante a tubos PBA, DEFOFO e PVC-O. Em relação a tubos DEFOFO e PVC-O, especificamente, Seabra enaltece a inclusão em norma do quesito relativo à previsão de uso em esgoto pressurizado.

Seminário: debate sobre plásticos na rede de tubulação

Participantes

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Renato YoshinoMediador
Diretor da unidade vinílicos da Braskem

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Osvaldo Barbosa de Oliveira JuniorDebatedor
Especialista em relações institucionais, governamentais e sustentabilidade da ADS-Tigre e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (Abpe)

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Edson Silveira SobrinhoDebatedor
Diretor de relações institucionais e governamentais da Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento (Asfamas)

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Natal GarrafóliDebatedor
Diretor de relações institucionais da Corr Plastik

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