Masters: Ampacet alinhada com clientes sem viés imediatista

Apoio a transformadores focados no médio e longo prazo quanto à capacidade, competitividade ou tecnologia
Foto: Ampacet Corporation
Cerca de um ano antes das eleições presidenciais, o governo já bota na rua sua campanha, como demonstra a prevista gastança com bondades distribuídas à população, desde programas assistencialistas a isenções tributárias, à custa de piora da dívida pública cada vez mais insolúvel. Mas a demanda assim estimulada não tira do caminho lombadas como a inadimplência física e empresarial recorde, aumento da mega carga tributária, juros estratosféricos etc. Um ambiente de negócios de instabilidade desencorajadora para a indústria em geral, inclusa a do plástico. Essa imagem do copo meio vazio é trocada pela do copo meio cheio enxergada pela base no país da componedora americana Ampacet. Pela ótica da empresa, o grosso da sua clientela de masters e aditivos, constituído por formadores de opinião na transformação brasileira, sente hoje na pele o peso das incertezas ao redor, mas mantém acesa na mente a visão de um senhor mercado tinindo em momentos de esplendor e, por isso mesmo, ele tem de ser adubado com investimentos na baixa para a colheita de um retorno de tirar o fôlego na alta – que sempre acaba vindo, pois a vida anda. Esta mistura fina de realismo e otimismo transparece da entrevista a seguir de dois megafones da Ampacet: Eliton Da Silva, gerente de produtos para a América Latina, e Renata Rodrigues, gerente de contas especiais no Brasil.

No mundo e no Brasil, o reciclado perde espaço para o superofertado e acessível plástico virgem. O fator preço tem levado muitos brand owners e transformadores a preferirem a resina virgem, deixando em segundo plano o apoio à sustentabilidade. Diante dessa mudança , a intensa oferta de masters e compostos contendo resina reciclada como veículo caminha para o declínio?

Mesmo com essas ofertas mais acessíveis de resinas virgens, os números mostram ainda um aumento na produção de plástico pós-consumo reciclado (PCR) no Brasil. De 2018 a 2024, a produção cresceu mais de 30%, mostrando que há um olhar para a circularidade e oportunidades. As marcas precisam desse apoio da cadeia para circular suas embalagens. Claro que novas normas e medidas governamentais com exigência de conteúdo reciclado (nota: inclusas no decreto sobre logística reversa de embalagens plásticas sancionado em 21/10 e em vigor a partir de 2026) impulsionarão o mercado a aumentar a reciclagem e o reúso dos plásticos, mesmo que exista excedente mundial de resina virgem.

“Temos auxiliado recicladores a viabilizarem o uso de PP recuperado em processos dependentes de índice mais alto de fluidez”

Eliton da Silva e Renata Rodrigues / Ampacet

Eliton da Silva e Renata Rodrigues

Juros inacessíveis, inadimplência, crédito restrito e encarecimento de matérias-primas e poder aquisitivo tensionado marcaram o Brasil no 1º semestre. Quais os segmentos atendidos por soluções da Ampacet mais e menos penalizados no período por esta retração? E qual a expectativa para suas vendas no exercício completo de 2025?

Sentimos impacto em quase todos os segmentos em que atuamos, em especial os de alimentos, bebidas e agro. Mesmo com a deflação dos preços dos alimentos, o movimento de embalagens alimentícias sempre acaba afetado quando a conjuntura política gera insegurança e as pessoas reduzem o consumo nos supermercados. No segmento de bebidas houve um agravante na primeira metade do ano: o longo período de frio sofrido pelas regiões sul e sudeste. Além disso o mercado brasileiro de embalagens flexíveis foi impactado na primeira metade do ano pela entrada de produtos já industrializados da China. A proximidade do verão nos faz aumentar a expectativa de melhoria nas vendas.

No Brasil, 2026 é ano eleitoral, período em que o governo aquece pontualmente a economia em busca de votos. Entre os seus clientes transformadores há quem esteja investindo de olho nessa melhora no ano que vem?

A maioria dos nossos clientes é bem inovadora e trabalha antenada na voz do mercado. Percebemos essa postura forte em empresas de cuidados pessoais, no segmento casa e em embalagens flexíveis. Nossos investimentos e os de clientes visam suportar estratégias de médio e longo prazo, em termos de capacidade, competitividade e tecnologia. De toda a forma, uma possível retomada em 2026, devido ao ciclo eleitoral ou maior disponibilidade de renda, são fatores que ajudam no retorno desses investimentos. Maquinário moderno, de alta tecnologia e máxima automação está sendo adquirido por clientes nos mercados de filmes, frascos, tampas, tubos e chapas.

Na voz corrente dos componedores, o atendimento perto dos clientes é vital para abreviar o desenvolvimento de soluções encomendadas e para prover suporte técnico na linha de produção do cliente. A inteligência artificial (IA) tende a quebrar este paradigma, permitindo, a grosso modo, um atendimento perfeito não presencial?

Em uma carteira ampla de vendas, há tipos distintos de clientes e atendimentos. No caso de clientes para quem as vendas mais construtivas requerem relacionamento, a IA pode apoiar em trabalhos de suporte, customizando e otimizando funções operacionais. Para linhas de materiais cujas vendas possam ser mais diretas, sem complexidade técnica, talvez o uso de IA possa ser interessante, com a finalidade de agilizar o atendimento. Até o momento, enxergamos a IA mais como apoio em processos. Seguimos valorizando o atendimento presencial na busca de um relacionamento customizado e projetos de crescimento. Entendemos que para ajudar nossos clientes a terem sucesso em seus projetos e conquistarem novos mercados, a criatividade na busca de soluções seja algo de grande valor. Para isso, o contato direto e em pessoa dos nossos times técnico e comercial com eles prossegue fundamental.

Vale a pena para um componedor com planta no Brasil de masters commodities recorrer a um distribuidor de resinas para ampliar suas vendas? Ou é melhor focar na comercialização apenas por sua empresa?

A revenda via distribuidor pode ser interessante quando a equipe comercial é pequena e quando o foco é pulverizar a venda e trabalhar simultaneamente a marca em muitas regiões. Pode ser bem benéfico. Mas nos preocupamos um pouco com o desempenho do distribuidor em termos de suporte pós-venda, provendo o necessário apoio e segurança técnica.

Os canais de distribuição ajudam o componedor na capilaridade de sua atuação em todo o Brasil, por suas dimensões continentais, e pela necessária proximidade dos clientes. Nesse sentido, os agentes autorizados podem ser um importante parceiro do componedor no atendimento.

Quais as principais soluções introduzidas este ano no portfólio de masters e compostos da Ampacet para atender o mercado brasileiro?

Masterbaches customizados para embalagens em PET, tanto de cor, quanto efeitos. Dentre as soluções para circularidade, a procura pelo aditivo que aumenta de forma controlada a fluidez de polipropileno (PP) escalou a números impressionantes. Aliás, temos auxiliado recicladores a viabilizarem o uso de PP recuperado em processos dependentes de índice mais alto de fluidez. Nos últimos dois anos, trabalhamos com muitos clientes em projetos de simplificação de embalagens para reciclagem, caso de versões monomaterial. No âmbito dessas soluções em flexíveis, embalagens de alimentos, inclusive para pet food, já desfrutam de excelentes taxas de crescimento de vendas. Quanto a soluções de efeitos superficiais, nossos compostos matte (fosco) e soft-touch (toque macio) têm auxiliado clientes a manter em monomaterial a estrutura de suas embalagens, destacando-as ainda nos pontos de vendas. No mercado de ráfia e monofilamentos, lançamos este ano o concentrado TapeMaster. Sem cargas em sua composição, ele viabiliza a produção de ráfia e monofilamento transparentes, isentos de pó, sem abrasividade, com melhores propriedades mecânicas e ainda contribui para evitar altas taxas de rompimento das fitas no processo de tecelagem. Por fim, ressaltamos o auxiliar de fluxo global sem flúor (substâncias per e polifluoroalquílicas) PFAS-FREE 1485, já produzido no Brasil. Ele se distingue por ser seguro, não migratório e não afetar propriedades relativas à impressão e selagem. Sua demanda tende a crescer aqui, no rastro do banimento de auxiliares base flúor nos EUA e, a partir de 2026, na Europa.

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