Apenas um mês após conseguir do governo britânico em torno de US$167 milhões para recauchutar seu último cracker no Reino Unido, a petroquímica londrina Ineos ressurge na mídia agraciada com subsídio de €300 milhões (cerca de US$352 milhões) do erário francês com a mesma finalidade: atualizar seu cracker em Lavera, ao sul do país. Na realidade, a Ineos está embolsando €550 milhões (cerca de US$ 647milhões) do governo de Emmanuel Macron, uma vez que em novembro passado já levara €250 milhões da autarquia Bpifrance Assurance Export dedicada a empreitadas como a descarbonização industrial, conforme relatou em 19/2 o site Sustainable Plastics.
Após comprar a participação societária de 50% detida perla TotalEnergies, a Ineos assumiu, em abril de 2024, pleno controle do cracker em Lavera. Listado entre os maiores da Europa, ele roda com capacidade nominal de 720.000 t/a de eteno e 300.000 de propeno, além de processar óleo de pirólise. Segundo divulgou a Ineos, a verba repassada pelo governo da França deverá ensejar o corte estimado em 331.000 t/a de emissões de dióxido de carbono pela unidade de craqueamento após sua modernização. No embalo, Jim Ratcliffe, CEO da Ineos, solfejou ao microfone sua satisfação com a mão na roda financeira dada pelo governo Macron, subsídio visto pelo dirigente como uma forma de frear a descarbonização na manufatura europeia sem recorrer à alternativa extrema da desindustrialização, mantendo assim cerca de 2.000 empregos diretos no cracker em Lavera e sem precisar alimentar as unidades de poliolefinas do complexo com petroquímicos básicos importados dos EUA ou China.
O mastodôntico excedente global de resinas expeliu um efeito colateral: da clássica atuação como indutor do desenvolvimento, o Estado agora surge na petroquímica europeia como derradeiro pronto-socorro para indústrias na maca por asfixia nas margens, deixam subentendidas as subvenções como as concedidas à Ineos pelos governos britânico e francês. O montante dos incentivos oficiais em jogo servirá para atualizar tecnologias e reduzir o custo energético e as emissões de carbono dos crackers, sangrados pela perda de competividade que assola desde o início (2022) da guerra Rússia x Ucrânia o setor químico/petroquímico europeu.


