Flexíveis: setor pleiteia aumento das taxas de importação

Pedido decorre da excessiva proteção comercial sobre resinas pressionando o custo da transformação brasileira
Flexíveis: setor pleiteia aumento das taxas de importação

Pedra cantada a partir da invasão de poliolefinas importadas nos últimos anos, efeito da falta de competitividade da petroquímica nacional, a internação de produtos concorrentes ao comércio exterior (bens tradable) começa a enervar a indústria nacional de flexíveis. Seus custos têm sido salgados por tarifaços concedidos pelo governo brasileiro para importações de polietileno (PE) e polipropileno (PP) que, por seu turno, viabilizam aumentos nos preços internos dos grades da Braskem, único produtor desses polímeros no país. Por essas e outras, a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (ABIEF) encaminhou para análise na Câmara de Comércio Exterior (CAMEX/MDIC) cinco pedidos para elevação temporária da alíquota para importação, de 14.4% para 25%, de filmes de PE e PP e embalagens de etileno; de 0% para 25%, para bobinas de polietileno de alta densidade (PEAD) e de16,2% para 25% para compras externas de artigos de transporte de PP, PE e de outros plásticos.

José Ricardo Roriz Coelho: excedente global de resinas convertendo-se em produtos acabados que invadem o Brasil.
José Ricardo Roriz Coelho: excedente global de resinas convertendo-se em produtos acabados que invadem o Brasil.

Até a publicação desta matéria não foi noticiada a aprovação das reivindicações da ABIEF. Se a CAMEX concordar com elas, as tarifas ampliadas de importação vigorarão pelo prazo padrão de 12 meses. “Esses pleitos visam ministrar um ‘remédio’ dentro da dose especificada para garantir a operação das empresas brasileiras”, sintetiza José Ricardo Roriz Coelho, presidente do conselho da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST). No pano de fundo, ele reconhece em linha com a unanimidade na praça, a superoferta global de resinas como PP e PE não deve amainar durante a vigência do aumento tarifário e sequer tem prazo previsto para terminar.

Tortura chinesa

A China é o principal remetente dessas torturantes importações de flexíveis, identifica Roriz, destacando a evolução dos volumes gerais (todas as origens) desembarcados no último período (117.000 toneladas em 2024 e 53.000 apenas na primeira metade de 2025). A proeminência da China, conforme consenso das consultorias, decorre da combinação com a retração do mercado interno com a intensificada busca, por estratégia política, de independência na produção de matérias-primas essenciais como termoplásticos. Esta autossuficiência está prevista para ser alcançada a médio prazo em PE e já gerou um excedente de PP que, aponta a consultoria Icis, hoje encaixa o Brasil entre os 10 principais destinos da resina chinesa.

Para combater a crise econômica interna, deflagrada pela dívida pública, desemprego e colapso imobiliário e demográfico, Pequim decidiu apostar nos ganhos com exportações de suas matérias-primas abundantes, como diversas resinas e intermediários (PVC, PP, PTA, PS, SM etc), e embarques de manufaturados tradable, a exemplo de filmes. A propósito, projeções da Abiplast situam em 8% o aumento das importações brasileiras de transformados plásticos em 2025, internações lotadas de artigos chineses.

“A depender do tipo de filme, vemos, além da China, a Coreia do Sul, Vietnã, EUA, Chile, Argentina e Israel entre as principais origens dessas importações pelo Brasil”, acrescenta Roriz. No plano mais específico, ele ressalta o crescimento de 124% nos volumes desembarcados em 2025 de filmes de PE, provenientes em especial da Turquia, com densidade igual ou superior a 0,94 g/cm³, espessura igual ou inferior a 19 micra em rolos de largura inferior ou igual a 66 cm.

Barreira da complexidade

Tal como os cinco manufaturados flexíveis em questão, os transformados brasileiros utilizam resinas obtidas da rota nafta, bem mais cara que a referência internacional do gás natural. Mas, intervém Roriz, isso não justifica estender o pleito da ABIEF a qualquer outro tipo de artefato plástico nacional. “Além da petroquímica base nafta, temos no Brasil excessiva proteção comercial sobre as matérias-primas e isso pressiona mais o custo de produção nacional frente ao importado”, atesta Roriz. “Vemos esse movimento de excedente global de resinas convertendo-se em produtos acabados que invadem o Brasil e substituem os nacionais”.

Um entrave para a indústria transformadora brasileira estender a outros artefatos, de forma indiscriminada, o pedido de onerar suas importações é a eventual heterogeneidade de produtos e atores envolvidos. “Quando a gama de artigos e o leque de fornecedores são grandes, caso de materiais de construção ou utilidades domésticas (categorias notórias pela presença da China), o nível de complexidade dos pleitos aumenta e suas possibilidades de sucesso diminuem”, explica Roriz.

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