Excedente global de PP continua a aumentar

Capacidade mundial deve incorporar cerca de 60 M de toneladas em 3 anos
Excedente global de PP continua a aumentar
Bobinas de polipropileno: rentabilidade da resina corroída pela super oferta global.

Embora atóxico e liberado pela saúde pública para usos em contato com alimentos e fármacos, polipropileno (PP) não configura hoje um mercado recomendado a produtores cardíacos da resina. Esta precaução, advinda da conjuntura mundial de inferno astral do polímero, foi captada em palestra recente de Ramesh Iyer, analista da consultoria Icis, em seminário da entidade americana Society of Plastics Engineers, conforme noticiado em 5/11 pelo site Plastics News.

Fruto do último superciclo mundial de investimentos petroquímicos (1992-2021), o excedente internacional de PP vai piorar, advertiu Iyer. No período de 2019 a 2028, ele situa, mais de 31 milhões de toneladas devem ser agregadas à capacidade instalada da poliolefina no nordeste asiático, com destaque óbvio para a China. No mesmo período, a capacidade de PP no resto do planeta deve acusar acréscimo da ordem de 18 milhões de toneladas, das quais apenas cerca de cinco milhões na América do Norte. Daí porque, amarra as pontas o consultor, o nível médio de ocupação na capacidade global de PP despencou, sob demanda em fogo brando, de 87% em 2019 para 76% este ano e não deve retomar o patamar anterior antes de 2040. Iyer também projeta em 3.4% a taxa média anual de crescimento da morna demanda mundial da resina entre 2024 e 2028, sendo que no sudeste asiático o índice deve rondar 5.5% de expansão, enquanto os EUA comparecerão com o menor percentual desse cotejo, na faixa de 1.5 ao ano. Para o analista, a demanda americana de PP está estagnada, a capacidade doméstica da resina tem sido pouco ampliada, razão pela qual seus níveis de ocupação têm se reerguido, mas ainda seguem abaixo da média aceitável.

O banco de dados da consultoria Icis mostra a descida da ladeira dos spreads (diferença entre preço de venda e custo da principal matéria-prima) CFR da China perante os custos CFR da nafta do Japão. Entre 2003 e 2021, os spreads para copolímero de bloco, homopolímero para ráfia e homopolímero para injeção ficaram nas respectivas (e saudosas) médias de US$ 597/t, US$ 545/t e US$ 546/t. Corte para o período cavernoso de janeiro a outubro último: os mesmos indicadores desabaram para US$ 262/t, US$ 238/t e US$ 239/t. John Richardson, outro analista da icis, estimou em artigo recente que o mamute excedente mundial de PP deve engordar 28 milhões de toneladas até 2028. Ele não põe fé na clássica alternativa de o setor atenuar deste descompasso mediante o fechamento de plantas menos competitivas, alegando com entraves tipo altos custos trabalhistas e de proteção ambiental. A seu ver, uma alternativa a estudar para revigorar a rentabilidade do negócio seria a migração dos portfólios de petroquímicas de PP dos grades convencionais para copolímeros mais valorizados.

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