Demanda em recesso e energia a peso de ouro fundamentam a projeção de recuo este ano (percentual ainda indefinido) na capacidade da indústria química europeia, em contraste com a expansão de 24% comemorada em 2024. O oráculo desse desalento, noticiado pelo portal Chemical Week em 3/9, tem peso institucional: estudo recém-saído do pipeline da entidade European Chemical Industry Council (Cefic – Conselho da Indústria Química Europeia).
O setor químico europeu está operando na faixa de 9.5% abaixo do nível médio de ocupação no período 2014-2019, assinala o levantamento. A entidade percebe o declínio do continente no fornecimento de químicos puxado, em essência, por petroquímicos e materiais commodities nos quais a China reina como formadora mundial de preços, à sombra de seguidas expansões da produção e crescente diversificação do portfólio de materiais .
Em sua análise, o Cefic condiciona a retomada da indústria química europeia a uma vigorosa retomada do mercado continental, perspectiva vista como distante, devido ao desencorajamento para consumir notado na maior parcela do público final açoitado pela contração econômica na zona do euro. No plano acidentado do comércio exterior, o balanço do primeiro semestre foi exemplarmente indigesto: as exportações europeias de químicos avançaram de leve – 0,5%, versus o mesmo período em 2024, mas as importações de químicos pelo continente subiram 5,4%, confronta o rastreio do Cefic. As remessas da China, em particular, somaram € 17.1 bilhões nos seis meses iniciais deste ano. Foram seguidas por €15.8 bilhões dos EUA e € 9.8 bilhões do Reino Unido. Ás na manga de Trump para sapecar sanções tarifárias, os EUA são o principal destino das exportações europeias de químicos. No retrospecto do primeiro semestre, o mercado americano importou da União Europeia € 23.1 bilhões. Degraus abaixo, comparecem o Reino Unido, com € 12.7 bilhões, e China, com € 8.8 bilhões.
Para avinagrar ainda mais o astral europeu, o continente tem sido a região que lidera o fechamento de unidades petroquímicas no planeta. Na voz corrente dos olheiros e blogueiros palpiteiros, trata-se de saída de cena justificada pelo naufrágio da competitividade da manufatura do continente e pelo esforço ainda tímido das companhias (via desligamento de plantas ultrapassadas) para atenuar o descomunal excedente mundial de produtos como, na fogueira das resinas, polipropileno e polietileno.
Referência mais recente nesse sentido é a entrada em cogitação na petrolífera americana ExxonMobil, colosso mundial também em poliolefinas, da possibilidade de vender suas operações de químicos na Europa, orçadas no total de US$ 1 bilhão. Entre elas, constam unidades relacionadas a plásticos na Bélgica (Antuérpia), Inglaterra (Fawley) e Escócia (Fife), conforme noticiaram em 4/9 os sites Reuters e Financial Times. Em Antuérpia, a ExxonMobil opera duas fábricas de polietileno de baixa densidade, refinaria de óleo e linhas para produzir insumos como lubrificantes e hidrocarbonetos líquidos. Em Fife, a empresa produz eteno e, por fim, em Fawley, o complexo petroquímico, descrito como mais integrado do Reino Unido, provê materiais como gasolina, diesel, combustível de aviação, lubrificantes e borracha butílica.


