Brasil: consumo aparente de poliolefinas recua no 1º semestre

Dados de PP e PE da Braskem atestam contração da demanda nacional
Brasil: consumo aparente de poliolefinas recua no 1º semestre

O nó cego formado pela oferta recorde mundial de resinas com as inapetentes demandas global e brasileira fulmina os spreads dos termoplásticos (diferença entre custo de matérias-primas e preço do material acabado) em geral, lancetando em particular o caixa de petroquímicas não integradas upstream e dependentes da rota mais cara da nafta. Único produtor no país de poliolefinas (polipropileno/PP e polietileno/PE) e o maior dos dois de PVC, o balanço da operação local da Braskem no primeiro semestre reflete este calvário e corrói a valorização da empresa aos olhos dos raros interessados em averiguar a possibilidade de comprar a participação majoritária (da Novonor) do seu controle. A encrenca está sumarizada no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), pois fechou no segundo trimestre em R$ 427 milhões (US$ 74 milhões) ou 74% aquém do resultado no mesmo período em 2024 e -67% que o saldo do primeiro trimestre de 2025.

PE, PP e PVC encabeçam o consumo nacional de polímeros e, para complicar a perda de rentabilidade, os volumes arrolados pela Braskem no primeiro semestre escancaram um preocupante nível de ocupação de sua capacidade instalada, por sinal predominantemente algemada à nafta. Aliás, a Braskem informou à praça ter elevado em 55.000 toneladas a capacidade nominal de PP para 1.905 milhão de t/a; em 146.000 toneladas a capacidade de PE, passando para 3.204 milhões de t/a, e ampliou ainda em 20.000 toneladas seu potencial produtivo de PVC, agora fixado em 730.000 t/a. A empresa justifica os aumentos com mudança na metodologia dos cálculos não explicada ao mercado.

PE lidera importações

No primeiro semestre, a Braskem produziu 1.182 milhão de toneladas de PE versus 1.129.170 milhão na metade inicial de 2024. Vendeu de janeiro a junho último no mercado nacional 825.972 toneladas contra 826.329 na mesma época do exercício anterior. Por fim, exportou 319.527 toneladas de PE (320.819 toneladas, segundo a Associação Brasileira da indústria Química – Abiquim) nos seis meses iniciais de 2025 contra 284.900 toneladas (2673.810,segundo a Abiquim) em igual período em 2024.

O rastreio da Abiquim confirma PE como a resina mais internada. As importações somaram 911.106 toneladas no semestre passado versus 1.051. 266 nos primeiros seis meses de 2024. Amarrando-se as pontas com este indicador das importações e os dados de produção e exportação da Braskem, vem à tona o consumo aparente brasileiro (produção + importação – exportação) de PE: 1.773.579 toneladas na metade inicial deste ano perante 1.895.536 toneladas de janeiro a junho do exercício anterior.

Desaquecimento em PP

No cercado de PP, a produção da Braskem no primeiro semestre acumulou em 691.610 toneladas diante de 676.248 na mesma época em 2024. Nas vendas internas, a empresa registrou o saldo de 586.246 toneladas no semestre inicial de 2025, abaixo das 600.055 em igual período em 2024. Quanto às exportações, a Braskem embarcou 96.873 toneladas de PP de janeiro a junho último, de leve acima do saldo de 81.803 no primeiro semestre do período antecedente.
A Abiquim calcula em 339.016 toneladas o saldo das importações de PP na primeira metade deste ano contra 366.098 na mesma época em 2024. Também estima as exportações no primeiro semestre de 2025 em 107.530 toneladas contra 90.010 de janeiro a junho de 2024. Assim, com base nos indicadores da Braskem e dos dados de importações da Abiquim, o consumo aparente brasileiro de PP chegou, no primeiro semestre de 2025, à marca de 933.753 toneladas diante das 960.543 compiladas em igual período no exercício anterior.

Capacidade insuficiente

Embora a Braskem tenha revisto para cima sua capacidade nominal de PVC, o fato é que, na dura vida real, desde 2018 este potencial segue longe de ser usufruído em razão do desastre geológico em Maceió que levou ao encerramento da mineração local de sal-gema, insumo do vinil substituído por onerosas importações do Chile. Daí porque, no semestre passado, a Braskem tenha produzido apenas 228.173 toneladas de PVC contra 246.950 na mesma época um ano antes.

A Braskem vendeu internamente 223.949 toneladas versus 234.703 toneladas de janeiro a junho de 2024. As exportações da empresa no primeiro semestre de 2025 limitaram-se a simbólicas 325 toneladas versus zero literal na mesma época no ano passado. Pela régua da Abiquim, as importações brasileiras de PVC alcançaram 326.380 toneladas, acima das 294.513 desembarcadas entre janeiro e junho de 2024. Como a Unipar, o outro produtor de PVC no Brasil, com capacidade nominal de 300.000 t/a, não abre os volumes de seu desempenho e como o Instituto Brasileiro do PVC aboliu a praxe de divulgar os resultados semestrais do setor, fica inviabilizada a projeção oficial do consumo aparente da resina no primeiro semestre no Brasil.

Compartilhe esta notícia:

Deixe um comentário