Em meio à ressaca na rentabilidade causada na petroquímica mundial pelos excedentes de produtos, o governo da Coreia do Sul forma entre os primeiros do mundo a atuar com o empresariado na racionalização iniciada este ano da capacidade local de resinas. Outro pioneirismo em escala internacional aflora da decisão de abolir, a partir de janeiro de 2026, os rótulos de garrafas de água mineral produzidas e comercializadas no país, com o objetivo de simplificar a reciclagem da embalagem e de contribuir para a redução de resíduos plásticos, conforme relata artigo postado em 15/2 no portal Plastics News.
Para substituir os rótulos nas garrafas de água, a solução consensual foi a da implantação de QR codes nas tampas. Uma vez acessados, eles proverão o consumidor final das informações requeridas pela regulação do produto, como razão social do fabricante, marca, data e local de envase e prazo de validade. O governo sul-coreano estabeleceu um ano para essa transição se concretizar nas vendas de garrafas individuais em lojas físicas. Também delimitou que garrafas vendidas em lotes unitizados tenham as informações impressas na sobre-embalagem e, no c aso de vendas individuais on line, esses dados devem ser gravados diretamente no corpo ou tampa da garrafa, noticia o site KoreaJoonAng Daily.
Projeções setoriais estimam o consumo sul coreano de água engarrafada em 5,2 bilhões de litros em 2024, correspondente a vendas da ordem de US$2,17 bilhões, evoluindo à média anual de 13,5% no último quinquênio, informa a plataforma Eco-Business. A mesma fonte calcula o consumo local de PET em garrafas de água na faixa de 2.270 toneladas em 2024 e assinala que a regra imposta pelo governo deve ser cumprida sem maiores transtornos a partir de 2026, pois cerca de 65% da produção de água mineral no país já é comercializada sem rótulo nas garrafas PET. Para coroar seu comprometimento com a circularidade, o governo da Coreia do Sul determina que, a partir deste ano, as garrafas de todas as bebidas não alcoólicas (água inclusa), cuja moldagem no país hoje mobiliza em torno de 5.000 t/a de PET incolor (para facilitar a reciclagem), contenham teor % de poliéster reciclado, assinala o portal Packaging Insights.
Se a moda aberta pela Coreia do Sul pegar mundo afora, fará um estrago no mercado de polipropileno biorientado (BOPP), filme com cadeira cativa em rótulos de garrafas de bebidas em geral. No Brasil, este segmento demanda hoje em dia entre 6.000 e 7.000 t/a de BOPP, sendo refrigerantes o maior nicho para os rótulos, distingue Aldo Mortara, diretor comercial da Vitopel do Brasil, transformadora referencial da película. Mauricio Jaroski, diretor executivo da consultoria MaxiQuim endossa a projeção situando em 7.000 toneladas a demanda nacional por rótulos de BOPP em garrafas de bebidas. A propósito, o consenso entre analistas situa acima de 21 bilhões de litros o consumo brasileiro de água engarrafada em 2024, volume que coloca o país como quinto mercado mundial no gênero.


