Distribuição: alemã Albis agrega brasileira Tecnomatiz

Transação motivada por convicção na retomada dos plásticos de engenharia no Brasil
Albis incorpora Tecnomatiz

Reduzido a um único produtor (Basf) local de polímero nobre (poliamida) e um punhado de componedores, o reduto brasileiro de plásticos de engenharia tem penado, nos últimos anos, no rastro da contração da demanda de componentes automotivos e peças de eletroeletrônicos, dois mercados-chave e algemados a vendas a prazo impraticáveis sob juros reais de 10% – a segunda maior taxa do mundo. Convicta de que não há recesso interminável, a distribuidora alemã Albis resolveu apostar na baixa e anunciou em 19/8 a entrada no Brasil através da compra da parcela dominante do controle da varejista paulista de plásticos de engenharia Tecnomatiz. Controlada do conglomerado alemão Otto Krahn Group, a Albis conta com 28 bases comerciais no planeta, distribui 25 bandeiras de resinas (inclusive Basf e Envalior, tal como a Tecnomatiz) e apregoa faturamento anual de € 900 milhões. Nesta entrevista, Sérgio Salinas, diretor geral da Tecnomatiz, ressalta a relevância dessa transação. 

Tecnomatiz é um discreto distribuidor de plásticos de engenharia e desde os últimos anos a demanda brasileira e sul-americana desses materiais permanece em fogo brando devido ao mercado enfraquecido e instável. Diante disso, por que a Albis decidiu comprar o controle majoritário da Tecnomatiz?

A Albis enxerga o Brasil como mercado estratégico na América Latina, apesar dos recentes desafios à frente da indústria plástica do país. A motivação para unir forças com a Tecnomatiz mediante a compra da maior participação acionária estão nos nossos pontos em comum em termos de forte relacionamento com clientes, conhecimento técnico e a reputação de distribuidor confiável de resinas nobres.

Preferimos não abrir o investimento e o percentual de ações incorporado. Essa aquisição, por sinal, não é só um passo para fortalecer o alcance global da Albis, mas um investimento de longo prazo no potencial brasileiro, que deve continuar a desempenhar um papel-chave no desenvolvimento econômico e industrial sul-americano. E queremos amparar os clientes quando o mercado se recobrar e crescer. 

“No momento, não buscamos aquisições na distribuição local de poliolefinas”

Sérgio Salinas, Tecnomatiz

Sergio Salinas da Tecnomatiz

A Albis planeja usar a Tecnomatiz como plataforma de distribuição de plásticos focada apenas no Brasil ou também cogita exportar para o restante da América do Sul?

A prioridade é incrementar a posição da Tecnomatiz no Brasil aproveitando a rede global de contatos da Albis, seu know-how técnico e o portfólio abrangente de materiais. Por si, o Brasil constitui um mercado grande, diversificado e com espaço para crescermos. Numa segunda etapa, estamos receptivos a explorar oportunidades em outros países sul-americanos, em particular os que tenham sinergias com o Brasil.

A Albis cogita introduzir no mostruário da Tecnomatiz materiais que distribui, como polietilenos e copolímeros de polipropileno da LyondellBasell?

Uma das principais vantagens dessa aquisição é a possibilidade de alargar a oferta de produtos pela Tecnomatiz, em linha com a demanda e a concordância dos fornecedores. O catálogo da Albis inclui polímeros de alta performance de bandeiras de classe mundial.

A Albis também pretende ampliar seu negócio no Brasil comprando um distribuidor de poliolefinas nacionais ou um revendedor autônomo?

A esta altura, o foco total a Albis é integrar a Tecnomatiz e assegurar a expansão de nossas atividades no Brasil. No momento, não estamos anunciando ou buscando aquisições no setor local de distribuição de poliolefinas.

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