Vinho de outra pipa

A informação diferenciada tem um valor que as mídias sociais não podem desconsiderar

Nas redações pré-internet, os jornalistas chamavam com desdém de tesoura press a reprodução, parcial ou total, de notícias já dadas por outros veículos. Os textos eram recortados a tesoura ou gilete das páginas originais, colados em laudas de papel e dali seguiam para a diagramação e impressão. As mídias sociais, povoadas por jornalistas e leigos que se fazem de, têm elevado a prática da tesoura press a píncaros impensáveis na inocência dos tempos do linotipo. Sem ao menos se dar ao trabalho de citar a fonte e a data, ou então, de disfarçar a pirataria com uma ou outra troca de palavras por sinônimos, a notícia copiada com o mouse é reproduzida por portais, faces e blogs de pessoas físicas e jurídicas como se fosse texto exclusivo saído do forno e fica tudo por isso mesmo, pois, como no samba canção, na internet ninguém é de ninguém. Seja qual for o setor, não há empresa que, hoje em dia, não trombeteie o engajamento de seu marketing & comunicação nas mídias sociais, não raro em detrimento dos veículos impressos. A situação embute um comportamento contraditório (mas quem se importa com racionalismo?) dos pontos de vista jornalístico e de publicidade. No primeiro caso, cobra-se da imprensa o milagre de um noticiário que condense em espaço quarto e sala o fato e sua análise a contento, sob o argumento de que o leitor virtual prima pela atenção fugaz ou sempre tem mais o que fazer. Um exemplo de informação dita na medida para

 

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