Unipar Carbocloro compra Solvay Indupa

Transação traz a Unipar de volta à produção de resinas

dinheiroApós quase cinco anos no balcão, desencalhou a venda da Solvay Indupa pelo grupo belga Solvay. Noticiada em 3 de maio último, a aquisição feita pela brasileira Unipar Carbocloro, estimada em US$ 202 milhões por 70,59% do capital social, pegou na curva o time de  analistas do ramo, pois o nome dessa empresa nunca foi ventilado por eles entre os possíveis interessados essa produtora de PVC e soda cáustica com ativos no Brasil e Argentina. Do ponto de vista do portfólio e sinergia de negócios, o movimento da Unipar Carbocloro transpira coerência. A empresa negou entrevista.  Produtora de soda, cloro e derivados, ela já tinha a Solvay entre os clientes de materiais seus, como dicloroetano (EDC), intermediário para a formulação do monômero e policloreto de vinila. A verticalização no elo do PVC também simboliza a volta da Unipar ao picadeiro dos produtores de termoplásticos, palco abandonado pela corporação desde 2010, quando vendeu para a Braskem sua participação societária na extinta produtora de eteno e poliolefinas Quattor. Na esfera industrial, a Unipar Carbocloro passa a contar, no veterano complexo químico em santo André, ABC paulista, com capacidade nominal de 290.000 t/a de PVC e 150.000 t/a de soda, enquanto em Bahia Blanca, na Argentina, assume as rédeas de unidades de 220.000 t/a do vinil e 160.000t/a de soda. A Unipar Carbocloro torna-se, assim, a única produtora do vinil na Argentina e, no Brasil, passa a concorrer em PVC com a capacidade de 710.000 t/a da Braskem (rival também em soda). Aliás, a Braskem é a única supridora de eteno para a Unipar Carbocloro formular EDC em suas instalações em Cubatão, Grande São Paulo. Retomando o fio da resina, a Unipar Carbocloro debuta em PVC no Brasil sob uma conjuntura desafiadora. Após anos a fio com o mercado interno dependente de importações complementares para fazer jus à demanda, dada a capacidade doméstica então insuficiente, o país tornou-se exportador de PVC desde 2017, como válvula de escape da construção civil na camisa de força da recessão e na garupa do câmbio favorável às vendas externas.

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