Na foto do Brasil de hoje, o desenvolvimento sustentável é uma crisálida em luta para cumprir o destino de virar borboleta. Não há fórum, debate ou plataforma política que não tire o chapéu para a economia verde e conclua com convocações para o país abraçar a sério essa agenda construtiva de alcance mundial, na garupa do colosso de seus recursos naturais. Mas Deus ou o diabo, já se disse, mora nos detalhes. Tal como ocorre no governo Dilma, em que o Banco Central puxa os juros para cima enquanto o Ministro da Fazenda estimula o crédito, o engajamento no barco da sustentabilidade colide na realidade com abraços no desenvolvimento insustentável. Um exemplo é a desfiguração das cidades pelo excesso de veículos, efeito de desonerações fiscais e financiamentos sob medida para a venda de carros, sem planejamento para evitar a piora da qualidade de vida assim gerada. Outro caso: a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) entrou em vigor em agosto último, quando extinguiu-se o prazo fixado em 2010 para os municípios substituírem os lixões por aterros sanitários licenciados. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado na mídia no início de setembro, constata que 60% das prefeituras não conseguiram enquadrar-se às normas da PNRS e apenas 4% dos municípios do país hoje dão destino correto ao lixo. Na mesma toada, pregam-se aos quatro ventos as ecovirtudes de materiais compostáveis num país sem uma usina sequer talhada para esse processo. Apesar da fundura do poço de contradições e

 

Para continuar lendo cadastre-se gratuitamente.

Conteúdo restrito a assinantes e cadastrados.
Se você já é usuário, faça login.
Novos usuários podem se cadastrar abaixo.

 

Login de Usuários
   
Registro de Novo Usuário
*Campo obrigatório