Um cartório chamado BOPET

Antidumping agracia Terphane com reserva de mercado

À entrada de 2014, Armando Monteiro assumiu o Ministério do Desenvolvimento,Indústria e Comércio Exterior (MDIC) com retórica modernizante e curvaturas ao livre comércio. Um ano depois, ele já mostrava pensar de outra forma. Com uma canetada em março passado, o ministro deferiu direitos antidumping para importações do filme biorientado de poliéster (BOPET) da China, Índia e Egito. Com vigência quinquenal, essas sobretaxas engordam o cordão puxado pelos Emirados Árabes Unidos, México e Turquia, países cujo BOPET foi gravado em 2012 com tarifa antidumping pelo antecessor de Monteiro, Fernando Pimentel. Como se não bastasse, corre desde julho último investigação de suspeita de dumping sobre BOPET do Bahrein e Peru. “Quanto a este último, é um caso para acompanharmos de perto, pois trata-se do primeiro pedido de antidumping para BOPET envolvendo um país associado ao Mercosul, ou seja, trata-se de uma solicitação protecionista contra uma união aduaneira”, interpreta Julio Venegas, executivo de vendas para o mercado paulista da Soléflex, agente no país do BOPET da indiana Flex Film, cujo vice-presidente Sanjay Choudhary negou entrevista. Não está em jogo contestar o mérito das tecnicalidades das investigações que culminaram nos dois direitos antidumping concedidos, mas de atentar para um efeito colateral gerado: o isolamento em berço esplêndido do monopólio de BOPET no Brasil, em mãos da unidade pernambucana de 6.000 t/mês da Terphane, subsidiária da norte-americana Tredegar. Autora de todos os pedidos de antidumping, a Terphane não respondeu ao pedido de entrevista. Se o governo estender, em 2016, a sobretaxa às importações do Bahrein

 

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