Shell produzirá PE nos EUA

Complexo na Pensilvânia é o primeiro no gênero da petrolífera no continente americano

Embora tenha estacas fincadas no petróleo e gás, a Shell e notória na petroquímica como reincidente em poliololefinas. No passado, fez história como investidora em polipropileno (PP), a ponto de estender o braço no filme biorientado e, no Brasil, foi acionista da extinta Polibrasil, produtora do polímero e, no cenário internacional, uniu seus ativos em resinas aos da Basf, na finada joint venture Basell. Pois a concha, ícone da petrolífera inglesa, volta agora a se abrir para os termoplásticos commodities.

À sombra do gás natural mais barato do planeta, a Shell trombeteia na mídia a decisão de construir na Pensilvânia, na região da cordilheira dos Apalaches, um complexo integrado e apto a produzir em torno de 1,6 milhão de toneladas anuais de polietilenos de baixa densidade e linear. Trata-se do primeiro empreendimento do gênero da petrolífera no continente americano e sua partida está agendada para 2020, justo quando se prevê o término da entrada em cena das novas unidades que resultarão no acréscimo estimado em 5,8 milhões de toneladas na capacidade nominal de polietilenos dos EUA.

A maior parte desse incremento, no consenso dos analistas, será desovada com baixa rentabilidade, dada a superoferta, fora do bloco Nafta internacional, um escoamento internacional já dificultado pelo entrevero comercial dos EUA e China e pela economia claudicante do Brasil e Argentina na América do Sul. Conforme foi divulgado, a Shell confia no acerto de sua tacada com base na proximidade geográfica do futuro complexo do grosso dos usuários norte-americanos de polietilenos, alvo primordial de sua investida. A companhia não se pronunciou a respeito da antevista briga de foice nas exportações de suas duas resinas.