Queda nos investimentos em redes de esgoto

Recursos aplicados em 2016 ficaram abaixo do patamar de 2008

Édison Carlos

Tubos de infraestrutura sempre ocuparam uma edícula nas dependências do mercado interno de PVC e, mérito do caixa do governo a zero sob crise fiscal, não devem sair do limbo tão cedo, insinua o último pente-fino do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), integrado ao Ministério das Cidades. Os investimentos em redes de esgotos murcharam de R$ 5,74 bi em 2015 para R$ 4,24 bi em 2016, cifra abaixo do saldo de R$ 4,34 bi registrado 10 anos atrás. Há dois anos, aferiu o SNIS, o esgotamento sanitário abrangia 51% da população e apenas uma fração de 44% dela tinha o esgoto devidamente tratado. Em depoimento reproduzido na edição de 12 de março do jornal Valor Econômico, Édison Carlos, presidente executivo do Trata Brasil, entidade com filiados da cadeia plástica (Braskem, Unipar Indupa, Amanco, Tigre e Acqualimp), constata que o declínio dos investimentos implica perda gradual dos discretos avanços nesse flanco do saneamento, não acompanhando sequer a expansão dos municípios. À sombra dessa carência das redes de esgoto, lembra Carlos, prolifera uma gama de doenças extensiva da diarreia, hepatite e dengue à esquistossomose e leptospirose. De acordo com o Trata Brasil, os gastos per capita com doenças de veiculação hídrica nas 10 cidades nacionais com os piores índices de esgotamento sanitário ficam quase cinco vezes acima dos constatados nos 10 municípios com os melhores indicadores. Delineado em 2013, o Plano Nacional de Saneamento Básico, previa originalmente que o país inteira contaria com coleta de esgoto em 2023. Pelo andar da carruagem, a consultoria GO Associados já projeta esse atendimento universalizado para 2054.