Por uma bariátrica cultural

O Brasil saiu do radar dos investimentos industriais. E não dá para competir fora dessa tela.

Marcos Curti
É complexo imaginar uma pessoa obesa e sedentária se preparando para ganhar a prova mais competitiva de uma olimpíada. Principalmente se essa prova estiver a menos de dois anos da data do início da preparação para disputá-la. É triste, mas essa é a analogia que, mais uma vez, vamos repetir aqui, ao analisar a indústria brasileira e sua participação no contexto mundial. O modelo industrial precisará de uma cirurgia bariátrica cultural para iniciar essa preparação. A primeira conclusão é que, sozinho, o atleta não consegue começar a jornada. Tudo, até esse momento, joga contra. Com raras e destacadas exceções, não nos preparamos para competir no mercado internacional ao longo dos últimos anos. A cada dia, nos fechamos mais na tentativa de proteger o que sobrou, ou seja, o mercado interno. No limite, pensamos no Mercosul, que hoje tem o seu segundo mercado cheio de travas e trancas. Uma porta muito difícil de abrir.Parece que alguém fechou e jogou a chave no Rio da Prata. Em 2014, a queda da atividade industrial trouxe à tona uma nova questão chave nos investimentos das grandes corporações. Para elas, somos “ainda” um mercado consumidor interessante, mas estamos perdendo importância frente aos outros. Saímos do radar dos investimentos industriais relevantes. Aqueles que trazem tecnologia e inovação e não somente produtos feitos localmente. Razões para essa perda de interesse não faltam, pois temos uma energia elétrica cara, escassez de recursos hídricos, o que é uma infeliz novidade no campo industrial; gás natural pouco competitivo, déficit de

 

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