PEUAPM: Braskem parte planta nos EUA até o fim do ano

Unidade substituirá exportações da planta da resina na Bahia

Braskem  em Laporte
Braskem em Laporte

Investimento orçado em US$ 34 milhões quando anunciado em 2014, a fábrica de polietileno de  alta densidade e ultra alto peso molecular (PEUAPM) erguida pela Braskem em seu complexo texano deve partir  até o final do ano. Comercializado sob a marca UTEC, o polímero tem na Braskem um fornecedor da linha de frente mundial e a produção em La Porte sai beneficiada em custos pelo emprego de eteno via gás natural extraído do Golfo do México e das reservas de xisto norte-americanas. No momento, a nova fábrica encontra-se em estágio de comissionamento e, em 2017, sua entrada em campo terá a escora de um centro de P&D nos EUA dedicado a PEUAPM e sua imemorial disputa travada com  metal e plásticos de engenharia.

PEUAPM é submetido a técnicas de processamento sumarizadas em três etapas: compactação, aquecimento para plastificação e resfriamento do material na forma de pó. Suas chapas, blocos ou perfis são o ponto de partida para a moldagem por métodos entre os quais predominam a compressão e extrusão sem rosca. PEUAPM prima por alta viscosidade, autolubrificação e possui peso molecular cerca de 10 vezes maior que o de polietileno de alta densidade (PEAD). Sobressai pela resistência química, ao impacto e à abrasão, além do coeficiente de fricção inferior a alternativas como polipropileno, PEAD, poliamida, poliacetal e policarbonato. Ganhou visibilidade graças a aplicações tipo engrenagens ou subcomponentes (roletes de esteiras em indústrias de alimentos e bebidas, p.ex.), revestimento de caçambas de picapes, itens de peças de agroveículos, elementos da indústria de mineração e até conseguiu espaço na área de lazer, a exemplo de esquis.

A Braskem supre os EUA de PEUAPM  desde sua fundação, 14 anos atrás. A produção, escorada em reator multipropósito, provém da capacidade de PEAD ativada em 1978 pela petroquímica Polialden. Ela totalizava 120.000 t/a nos idos de 1993, quando a empresa foi absorvida pela extinta OPP, corporação da qual se originou a Braskem. Os EUA sempre foram o principal destino das resinas UTEC. Em Camaçari, o grupo conta com capacidade nominal projetada em 10.000 t/a de PEUAPM por um ex da cúpula da Polialden. A marca UTEC, acrescenta a mesma fonte, foi cunhada internamente e, motivo de discussões com a japonesa Mitsubishi, licenciadora da tecnologia de PEAD ali adotada, a rota de PEUAPM foi concebida pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras.
Com fábricas na Alemanha, China e América do Norte, a norte-americana Celanese  é a rival nº1 da Braskem em PEUAPM, à sombra de capacidade total de 90.000 t/a ( cerca de 30,000 nos EUA). A partida em breve da planta em La Porte converge para um reposicionamento das exportações de PEUAPM da antiga unidade baiana, cuja capacidade nominal a Braskem não divulga e, pela lógica, a recessão brasileira em cena  influi no aumento do excedente de UTEC disponível para o mercado internacional.

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