PE: Trump põe excedente dos EUA em xeque

Confrontos com Irã e China podem complicar desova da prevista superoferta da resina norte-americana

Ao romper com o acordo nuclear do Irã e acender o rastilho da guerra comercial entre EUA e China, o presidente norte-americano Donald Trump deixa a indústria de polietileno (PE) do seu país numa sinuca de bico, constata recente artigo postado por John Richardson, blogueiro do portal Icis, especializado no setor químico/petroquímico global.

Conforme ele assinala, as importações chinesas de PEs de baixa densidade (PEBD) e linear (PEBDL) subiram de 4.2 milhões para 5.6 milhões de t/a na última década. No entanto, a participação dos polímeros dos EUA neste saldo caiu no mesmo período, pondera Richardson. A situação configura um enrosco para os produtores norte-americanos sob a perspectiva de um acréscimo já calculado em 5,8 milhões de toneladas à sua capacidade de PE, mediante novas plantas agendadas para entrar por completo em cena até 2020. “Os EUA precisam recuperar com rapidez market share em PE na China, o único mercado internacional capaz de absorver a futura sobra da resina não transformada nos EUA.

A conta não fecha se consideradas outras regiões do planeta dependentes de PE importado para preencher sua demanda”, argumenta Richardson. Na esteira, ele comenta que a sobretaxa de 25% que a China ameaça pespegar nas importações de PEBD e PEBDL dos EUA inviabilizam economicamente os embarques norte-americanos para lá. Para engrossar o caldo, segue o blogueiro, ao pular fora do acordo nuclear, Trump pode estimular as exportações para a China de PE do Irã, país que tem subido no pódio dos fornecedores internacionais de PE para os transformadores chineses nos indicadores de 2007 a 2017.

Henderson lembra ainda que a China é importador de primeira linha de petróleo e gás iranianos, relação que tende a fortalecer se as sanções de Trump dificultarem as vendas de hidrocarbonetos do Irã a outros países. Se as medidas punitivas dos EUA inibirem petrolíferas ocidentais de investir no Irã, encaixa o blogueiro, as companhias chinesas podem preencher a lacuna, como evidencia a participação de 30% detida pela estatal China National Petroleum Corporation na mega reserva iraniana de gás e óleo South Pars. “Se a China investir mais na exploração de fontes de energia no Irã, isso naturalmente adensará a relação comercial entre os dois países, estendendo-se a petroquímicos e polímeros e talvez a China também aumente investimentos diretos na petroquímica iraniana”, pressupõe o analista do Icis.

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