PE: excedente dos EUA sofre tortura chinesa

Barreira tarifária da China complica desova da ampliada produção norte-americana da poliolefina

Como a nova capacidade norte-americana de polietileno (PE) faz este ano sua primeira aparição de corpo inteiro em meio à guerra comercial EUA x China e uma demanda mundial opaca, está instaurada a tempestade perfeita para uma depressão nas margens da super ofertada poliolefina, pressupõe análise postada pelo portal especializado Icis. As exportações norte-americanas de PE, situa a mesma fonte, emplacaram 3,3 milhões de toneladas em 2018 ou 50% acima do aferido em 2017 e devem passar a 3,8 milhões este ano e 4,3 milhões de toneladas em 2020. Do outro lado, a China, maior importadora mundial do termoplástico, sapecou em agosto passado, no calor da guerra comercial deflagrada por Trump, tarifas alfandegárias de 25% para importações de polietileno de alta densidade (PEAD) e do tipo linear (PEBDL) embarcados pelos EUA. Por seu turno, exportadores chineses de artefatos plásticos encaram o risco de sofrer em março próximo aumento de 10% para 25% na alíquota para importações norte-americanas de seus produtos, a não ser que as novas rodadas de negociações iniciadas em 30 de janeiro último cheguem a bom termo, comenta a análise publicada no portal. Do seu lado, os exportadores dos EUA redirecionam o excedente local de PE para outros destinos do Extremo Oriente, mas o volume ali desovado não compensa as vendas perdidas na China, cujo crescimento econômico aliás dá sinais de arrefecimento. A Europa também não se presta a esse escoamento, seja pelo porte do seu mercado de PE, bons corpos atrás do chinês, como pelo fato de sua economia ter estagnado e um dos membros da comunidade, a Itália, entrou em recessão. Se a tarifa chinesa de 25% persistir, conclui o estudo do Icis, os EUA precisão duplicar sua participação no restante do mercado global de PE.

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