O culpado de sempre

O que emperra o país para dar a volta por cima

“Não vou falar nada descabido, nada descabido. Mas agora, eu falei pro Henrique, é importantíssimo ter um presidente do Cade ponta firme”. Em 38 minutos de conversa gravada sob controle da Polícia Federal (PF) com o presidente Michel Temer, Joesley Batista, sócio da JBS, escancarou o poderio no tráfico de influência no órgão antitruste brasileiro.Também disse ter pressionado o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a trocar gente  na Receita Federal e no BNDES, além de assegurar ter no bolso um procurador e dois juízes para obstruir a justiça e se desvencilhar do nó cego de investigações ligadas a operações  da PF. À parte metralharem a era Temer em pleno voo, justo num momento de queda dos juros e da inflação,  aviamento de reformas essenciais  ao reequilíbrio das contas públicas e de volta do país ao radar do investidor estrangeiro, as falas de Joesley   dizem volumes sobre o relacionamento por trás das cortinas entre empresariado e governo no Brasil. Para começar, é evidente que, desde que Brasília é Brasília, não sai de cena a figura do empresário peninsular. Era como o economista e ex-ministro Mário Simonsen apelidava quem passava muito mais tempo perambulando na Península dos Ministérios do que suando no batente. Outra lição deixada pela jactância do dono da JBS é a comprovação de que, tal como ocorre com as salsichas, melhor não saber como são feitas as leis. Pululam nos processos das operações da PF relatos que destroçam a crença de que reivindicações submetidas ao poder público têm seu

 

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