Meio Ambiente: repúdio ao plástico descartável pode afetar consumo de petróleo

British Petroleum calcula redução da demanda em 2 milhões de barris/dia até 2040

A saraivada ambientalista contra o plástico já ricocheteia no andar de cima da cadeia petroquímica. Pela calculadora da British Petroleum, a curva ascendente de proibições de produtos plásticos de uso único ou descartáveis, moldura onde cabem de sacolas a embalagens rígidas e flexíveis, pesará para reduzir o crescimento da procura pela fonte fóssil de energia ao longo dos próximos 20 anos, vaticina Spencel Dale, economista chefe da petrolífera britânica, em 20 de fevereiro último para mídias do Reino Unido como o diário The Guardian. A sucessão de vetos mundo afora, ele estimou, pode equivaler a um declínio de 2 milhões de barris/dia no consumo de petróleo à entrada de 2040. Plásticos de uso único, assinala o especialista, consomem ao redor de 15% do óleo não queimado. Dale fundamenta essas projeções nas mudanças de posicionamento em relação ao plástico enxergadas em mercados-chave, como a China, que recentemente decepou suas importações de sucata plástica para reciclagem, e no poder de influência mundial de ações tomadas nos centros desenvolvidos.

No âmbito do Reino Unido, já constam a proibição do uso de microplásticos em cosméticos e creme dental e a aversão crescente a copos descartáveis de café e sacolas de saída de caixa. A propósito, John Richardson, blogueiro do portal inglês Icis, destaca três diretrizes para mostrar para onde o vento está soprando. Pela ordem cronológica, Andy Clarke, ex-CEO da ASDA, uma das redes varejistas da linha de frente da Grã-Bretanha, reivindicou em outubro passado que todas as embalagens plásticas de supermercado fossem substituídas por alternativas como papel, aço, vidro e alumínio. Afirmou ainda que os investimentos na reciclagem de plásticos tiveram resultados frustrantes e, portanto, outros materiais devem ser o foco dos esforços em desenvolvimentos palatáveis com a economia circular. Richardson também empunha a a atitude da cadeia supermercadista inglesa Iceland: em janeiro último, ela alardeou a promessa de trocar em cinco anos plásticos por papel e celulose de seus produtos de marca própria, tendo apoio de 80% dos 5.000 clientes entrevistados em pesquisa a respeito. O comunicado da Iceland, completa o blogueiro, foi logo a seguir fortalecido em seus propósitos pela divulgada exigência da União Europeia de que todas as embalagens plásticas em uso no bloco devem ser recicláveis até 2030.