Insensatez é a trilha sonora

Clássico de Jobim combina com a realização de duas feiras quase geminadas

Mesmo com boa vontade, o número de gênios brasileiros de reconhecimento universal perde até para a canhota desfalcada de Lula. Uma dessas raras unanimidades é Tom Jobim, alvo neste início de 2017 de curvaturas em canto e prosa pelos 90 anos de seu nascimento. Suas composições passam longe do engajamento político ou opiniões no calor do momento, uma possível razão, ao lado de um talento musical absurdo, para a permanência delas. Mas fora do piano, a conversa era outra e quando sua visão da realidade saltava da língua ferina vinham frases que ficaram. “Este é um país em que as prostitutas gozam, os traficantes cheiram e em que um carro usado vale mais que um carro novo. É ou não é um país de cabeça para baixo?” Transpondo para o nosso setor plástico, quem ousaria dizer o contrário diante da realização, num mesmo trimestre, de duas feiras de calibre nacional com apenas 10 dias entre uma e outra? Está certo que, como também dizia Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes e, como suspirava nessa pegada o economista Roberto Campos, a lógica inventada pelos gregos nunca se aclimatou ao sol na laje daqui. Do Primeiro ao Quarto Mundo, não se sabe de algum lugar com indústria de plástico onde mais de uma feira representativa do país seja montada ao longo de um ano. Por que? Nem precisa chamar os universitários: falta de verba para um expositor bancar dois estandes e falta de novidades para diferir um do outro. Vista

 

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