São tão superlativas as cifras dos escândalos dos propinodutos que, assim à primeira vista, falar de trabalho suado e honesto seria jogar conversa fora. Vamos e venhamos, a um clique de mouse, um toque de celular, um WhatsApp, a dinheirama cai com maciez na conta de um elo do esquema ou lhe é entregue em casa, tirado da cueca ou da meia de um leva e traz de doleiro. Comparar esse mamão com açúcar com os ganhos vindos de se meter a mão na graxa, gastar sola de sapato atrás de cliente ou quebrar a cabeça em laboratório para atendê-lo, de duas uma: é ingenuidade ou insanidade. Nem uma coisa nem outra. A fieira sem ruptura de prisões dos envolvidos no maior episódio de corrupção e enriquecimento ilícito da nossa História tem o condão de repor várias noções nos devidos eixos. Por exemplo, fica patente o funcionamento, intocado por corporativismo e ingerência política, de instituições como a PF e a Procuradoria Geral da República. Por trás disso, ressoa a mensagem de que o poder público e a iniciativa privada vão passar a medir micron a micron as consequências antes de pôr malfeitos em prática. Pensava-se, é verdade, que o mesmo ocorreria após o impeachment de Collor e, quase, três décadas depois acontece a reincidência na rapinagem. Mas dessa vez são outros quinhentos. Não só a legislação e seu cumprimento endureceram como, após 13 anos de incompetência, enganação e ladroeira, transparece o sentimento de que a sociedade esgotou sua complacência com

 

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