Desinteresse pela produção

Idalécio de Brito
A noção de modernidade incorpora a chegada de avanços tecnológicos mas, entre suas decorrências, constam alguns problemas sociais. Ser moderno é fazer parte de um universo no qual, como disse Karl Marx, “tudo o que é sólido desmancha no ar”. Talvez essa seja a melhor expressão para definir ideologias, formas de governar e modos de produção, pois atravessam um ciclo de vida e morte quase natural. O que tem me aturdido, no entanto, não é o nascimento nem a ruína de, no caso, alguns modos de gerir uma empresa ou controlar uma equipe produtiva. Em meu trabalho, tenho sido surpreendido pela constância desses ciclos de vida e morte. Afinal, diante de tal turbilhão de mudanças fica difícil para nós, como sociedade, entender a função do trabalho. O trabalho é uma atividade cooperativa e, seja proveniente de cada indivíduo ou grupo, é a força motriz da produção. Torna-se social no sentido de que contribui para as necessidades de toda a sociedade.  Com a falta de interesse da mão de obra jovem por cargos da linha de produção, questiono-me seriamente sobre como anda a satisfação dessas necessidades. Trabalho num dos polos industriais mais pujantes do estado de São Paulo e, desde 2009, sofro com a falta de costureiras e com a rotatividade de auxiliares de produção e operadores de máquinas. Com a ausência de interesse por funções de operadores, cuja fonte está muitas vezes na condução da educação familiar ou na deficiência de formação escolar básica, vemos a Idaplast, nossa empresa, corroer

 

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