Demanda interna de resinas desaba em 3 trimestres

Abiquim calcula recuo de 4,7% sob a crise de janeiro a setembro

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O terceiro trimestre seguido de queda do PIB, já previsto para fechar em -4% este ano, levou de roldão toda a atividade produtiva e, no bojo dela, o setor plástico verga os joelhos acuado contra as cordas. De janeiro a setembro de 2015, o conjunto das principais resinas produzidas no Brasil teve desempenho negativo. Pela lupa da equipe de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a demanda interna por termoplásticos, medida pela somatória das vendas domesticas mais importações, registrou recuo de 4,7% versus mesmo período de 2014. As vendas internas amargaram descida de 1,5% no acumulado do ano, enquanto as importações declinaram 12,9%, em evidente efeito do câmbio e depressão do consumo. Nesse período, a produção aumentou 3,9%, devido em especial às exportações, que cresceram 39,6%, empoleiradas em particular na desvalorização do real, demanda externa e necessidade de manter a ocupação da capacidade instalada em patamares mais elevados.

Os indicadores de 2015 foram abatidos em pleno voo pelos resultados do terceiro trimestre, quando o recuo da demanda nacional por resinas chegou a 11,8%. A expectativa do setor é que a retração continue no quarto trimestre. Medida pelo Consumo Aparente Nacional (CAN) – produção + importações – exportações – a demanda brasileira de termoplásticos murchou de 7% de janeiro a setembro último frente ao mesmo período do ano anterior. Outra variável inquietadora: nos primeiros nove meses deste ano, as empresas operaram com 80% da sua capacidade de produção, um ponto percentual acima da utilização em igual período em 2014, traduzindo índice preocupante de ociosidade. Vale ressaltar que os custos do setor pioraram em 2015 por conta da alta de 30-40% das tarifas de energia elétrica e pela retirada dos descontos do gás de produção local, medidas que, até o final do ano, terão impacto de mais 20%.