Caiu do pedestal

A insustentável utopia do plástico biodegradável

Cargill, Bunge e Minaplast. Além de negar entrevista, o que essas empresas de ramos diferentes entre si têm em comum? De forma involuntária, elas servem para desmascarar no Brasil o mito, em demolição mundial sem estardalhaço, do plástico biodegradável como solução para o desenvolvimento sustentável. “Podemos classificar esse material como uma iniciativa frustrada que decerto serviu de aprendizado para o setor plástico global”, reconhece Maurício Groke, presidente da consultoria de gestão e negócios Integrale, ex-presidente do conselho da Associação Brasileira de Embalagens (Abre) e ex-diretor comercial da convertedora de flexíveis Antilhas. O ponto de partida para esse desnudamento chama-se ácido polilático (PLA), o plástico biodegradável sem similar local e o mais produzido e conhecido no planeta. Verbete agro norte-americano, a Cargill desenvolveu em 1993 o uso como resina de PLA, polímero obtido de açúcares fermentados de alimentos como milho, leite e batata, atesta Stephen Fenichell no livro “Plastic-The Making of a Synthetic Century”. Na realidade, ele nota, PLA remonta a 1833 como material de suturas, condição na qual causa sensação hoje em cirurgias estéticas no Brasil, a exemplo da sua presença em fios de sustentação para operações de lifting facial. Resumindo a ópera, o experimento da Cargill convergiu para a constituição nos EUA da Nature Works, hoje uma joint venture da companhia norte-americana com a tailandesa PTT Chemical Global, controladora da dita maior capacidade instalada de PLA no mundo, 140.000 t/a. Groke: setor plástico aprendeu com fiasco do bioplástico. Os primeiros termoplásticos, retoma o fio Fenichell, foram formulados a partir

 

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