Basf compra negócio global de poliamidas da Solvay

Aquisição inclui a única fábrica de plásticos de engenharia do Brasil

Posto à venda por não integrar o foco em especialidades químicas, o negócio mundial de poliamidas (PA) do grupo belga Solvay foi arrematado, por 1.6 bilhão de euros pelo conglomerado alemão Basf, conforme comunicado à mídia liberado em 19 de setembro. A transação envolve 12 fábricas, quatro centros de pesquisa e 10 de suporte técnico, até então regidas pela Rhodia, controlada pela Solvay, e fortalece a presença global da Basf em polímeros nobres, nicho onde já atua como formador de opinião em poliamidas 6 e 6.6., em especial no âmbito de autopeças injetadas. No anúncio à imprensa, a previsão é de que a transação esteja formalizada e aprovada pelos órgãos regulatórios até o terceiro trimestre de 2018. Com esta compra, a Basf assume o leme da única fábrica de plásticos de engenharia do Brasil, conduzida pela Rhodia. Dispõe de capacidade estimada em 100.00 t/a de polimerização de PA 6.6 e 50.000 de compostos de PA 6 e 6.6 na ativa em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo. A unidade opera suprida por unidades de intermediários de poliamida 6.6 que  permanecem nas mãos da Solvay: as plantas de sais de náilon, resultantes da reação de ácido adípico com hexametileno de amina, fincadas em Paulínia no interior paulista e em Santo André, no ABC paulista. A unidade em São Bernardo que a Basf adquiriu beneficia PA 6 importada. Desse modo, a Basf volta a produzir poliamidas no Brasil, atividade da qual se retirou em 2015, após um incêndio em novembro de 2014 ter interrompido o desempenho da antiga unidade de polimerização e compostos de PA 6 que o grupo alemão comprou da brasileira Mazzaferro. À época, a Basf justificou sua decisão de encerrar a produção com a demanda doméstica insuficiente. Cerca de dois anos depois, conforme reportagem publicada por Plásticos em Revista em junho último, a unidade em São Bernardo tem exportado 70% do que produz, em reação à acentuada queda do consumo nacional de poliamidas 6 e 6.6 ao longo de três anos a fio de recessão.