A escrita na parede

A conjuntura do Brasil sob o prisma do julgamento sob incerteza

No calor do bombardeio das delações da JBS sobre Brasília e de suas avarias reflexas na economia, o dirigente brasileiro de um bíceps global em plásticos de engenharia não se abate. Ele se aferra à visão do negócio craneado para muito além desse momento quando questionado sobre a penúria de seu maior mercado, a indústria automobilística. Sua produção hoje equipara-se aos patamares de 2008 e ela opera com mais de 50% de ociosidade na capacidade para montar 5 milhões de veículos ao ano. “Apesar dos descalabros da política e do empobrecimento da população, o Brasil permanece um mercado de gigantismo merecedor da atenção e o povo gosta de consumir. O Brasil superou outras crises tão graves quanto esta. Essa crise vai passar e a eventual mudança do presidente nada muda no horizonte a longo prazo do mercado nem derruba essas características do país. A produção de carros não vai tardar a retomar aquele nível do passado, perto de quatro milhões de unidades”. À frente de integrada operação de plásticos de engenharia no país, o dirigente entoa, até por dever de ofício, um discurso pra cima. Só faltava essa – dizer algo capaz de acentuar o desânimo de clientes já jururus. Assim, o executivo ressalta a convicção de que o Brasil surpreenderá ao saltar da maca da UTI já no ano que vem. Ele descarta, inabalável, a possibilidade de rever seu pensamento dianter do fato de a produção automobilística ter batido recorde sob o ambiente de euforia irreal da Nova Matriz

 

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